25 de jul de 2013

[Poesia] PABLO NERUDA – A minhas obrigações

  

                  -   PEDRO LUSO DE CARVALHO 


Neftalí Ricardo Reys Basoalto, nascido a 12 de julho de 1904, em Parral, Chile, passaria a ser conhecido pelo nome de PABLO NERUDA; na sua poesia  ele inventaria e reinventaria temas profundamente ligados ao amor e à vida. O poeta morreu na capital de seu país, Santiago, em 23 de setembro de 1973.

Pablo Neruda, sabidamente um dos mais importantes poetas dos tempos modernos, deixou uma extensa obra, com mais de 50 livros, que foram traduzidos para vários idiomas, tendo uma vendagem superior a um milhão de exemplares.

O intenso lirismo da poesia de Neruda e a sua criatividade prodigiosa, com cinco volumes de poesia publicados quando contava com apenas 22 anos, na década de 1920, contribuiu fortemente para firmar a sua reputação. O seu segundo livro, Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, tornou-se popular e um clássico, em razão da elegância, doçura e profunda melancolia.

No ano de 1940 Neruda começou a escrever um poema épico, para o qual levou elementos da flora, da fauna, da história, da mitologia e das lutas políticas da América Latina. O seu livro Alturas de Machu Picchu, inspirado nas civilizações pré-colombianas, viria tornar-se o centro do épico Canto geral (1950).

Em 1971, a Academia Sueca concedeu a Pablo Neruda o Prêmio Nobel de Literatura.

Segue A minhas obrigações, poema de Pablo Neruda (in Neruda, Pablo. Antologia Poética. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: 1964, p. 145-146):



[ESPAÇO DA POESIA]


A MINHAS OBRIGAÇÕES
           [ PABLO NERUDA ]



Cumprindo com meu ofício
pedra com pedra, pena com pena,
passa o inverno e deixa
lugares abandonados,
habitações mortas:
eu trabalho e trabalho.
devo substituir
tantos esquecimentos
encher de pão as trevas,
fundar outra vez a esperança.

Para mim apenas a poeira,
a chuva cruel da estação,
não me reservo nada
a não ser todo o espaço
e nele trabalhar, trabalhar,
manifestar a primavera.

A todos tenho que dar algo
cada semana, cada dia,
um presente que seja azul,
uma pétala fria do bosque,
e já de manhã estou vivo
enquanto os outros se submergem
na preguiça, no amor,
eu estou limpando meu sino,
meu coração, minhas ferramentas.

Tenho orvalho para todos.



*  *  *