13 de jun de 2010

BERNARD SHAW E BERTRAND RUSSEL





por Pedro Luso de Carvalho


Bertrand Russel, matemático e filósofo britânico, nasceu em Trellek, País de Gales, em l872 e morreu em 1970; foi um dos criadores da lógica moderna, e também conhecido pela luta que empreendeu contra o uso das armas nucleares. Além de ter sido distinguido com o recebimento do Premio Nobel de Literatura de 1950, discorreu sobre a longa vida de George Bernard Shaw, dizendo que ela poderia ser dividida em três fases: a de crítico musical, polemista, novelista e inimigo da impostura, até aos quarenta anos de idade, na primeira fase; na segunda, autor de comédias, com as quais obteve merecido êxito; na terceira fase de vida surgiu Shaw como profeta, admirado por Santa Joana de Orleans e São José de Moscou. Bertrand Russel diz que o achava encantador e útil nas duas primeiras fases, e que, na terceira e última fase, a sua admiração por ele era limitada.


Neste espaço, por razões óbvias transcrevo apenas parte do ensaio de Bertrand Russel sobre George Bernard Shaw, escritor, jornalista e dramaturgo, nascido em 26 de julho de 1856, Dublin, Irlanda, e falecido em 2 de novembro de 1950, em St. Lawrence de Ayot, Hertfordshire, Inglaterra, conhecido e admirado na Europa tanto pelo valor intrínseco de sua obra como pelo poder de seu humor sarcástico; nesse ensaio, que faz parte de um dos capítulos de Retratos de Memória, Russel sintetiza o que pensa sobre a obra desse irreverente irlandês, que, já setuagenário, obteve o Prêmio Nobel de Literatura de 1925, e que, por ser avesso ao esnobismo e honrarias, recusou-se a recebê-lo; com relutância, aceitou a distinção, mas pediu que o dinheiro fosse empregado para ajudar a difundir as letras suecas na Grã-Bretanha. Vejamos, pois, o que disse Russel sobre Shaw, em parte do seu ensaio sobre o escritor:


“O que havia melhor de seu talento, ele o revelava como polemista. Se houvesse algo de tolo ou de insincero em seu oponente, Shaw, para delícia dos que estavam de seu lado na disputa, se aferrava infalivelmente ao ponto vulnerável. No começo da Primeira Guerra Mundial, publicou o seu Common Sense about the War. Embora não escrevesse como pacifista, enfureceu a maioria dos patriotas, recusando-se a concordar com o tom moral, grandemente hipócrita, do Governo e seus partidários. Era inteiramente digno de louvor nessa sua atitude, até que passou a adular o governo soviético, perdendo, subitamente, o seu espírito crítico e a sua capacidade de perceber a mistificação, se esta vinha de Moscou.


Excelente como era na polêmica, não se saia tão bem quando tinha de expor suas próprias opiniões, que eram um tanto confusas, até que, nos últimos anos adotou o marxismo sistemático. Shaw tinha muitas qualidades que merecem grande admiração. Era inteiramente destituído de medo. Expunha com igual vigor suas opiniões, quer fossem populares ou impopulares.Era implacável para com aqueles que não merecem piedade – mas, às vezes, também o era com pessoas que não mereciam ser suas vítimas. Em suma, pode-se dizer que fez muita coisa boa e algumas nocivas. Como iconoclasta era admirável, mas como ícone nem tanto”.




REFERÊNCIA:
RUSSEL, Bertrand. Retratos de meómoria e outros ensaios. Trad. Brenno Silveira. Cia. Editora Nacional, 1958.