3 de out de 2012

NIETZSCHE / Amar Seus Inimigos?



por Pedro Luso de Carvalho


NIETZSCHE (Friedrich Wilhelm Nietzsche) nasceu em Rökken, perto de Lutzen, em 1844, e faleceu em Weimar, em 1900. O filósofo alemão, um dos pensadores mais influentes do século 19, teve sua moral baseada na cultura da energia vital e na vontade do poder que eleva o homem até a categoria de super-homem, como se vê sua obra mais importante, Assim Falava Zaratustra.

No verbete sobre Nietzsche, da Enciclopédia Judaica Castelhana, publicada no México em 1950, lemos: “Filósofo e poeta lírico alemão 1844-1900. Seus escritos têm exercido profunda influência, e foi ele quem cunhou expressões tais como super-homem, transmutação de valores, espírito senhoril, etc. Os nazistas a princípio adotaram conceitos nietzschianos, mas tiveram de abandonar as obras de Nietzsche ao se darem conta de que as obras dele estavam muito longe de oferecer fundamentação ideológica ao nazi-fascismo.”

Segue o texto de Nietzsche intitulado Amar seus inimigos? (In Nietzsche. Além do Bem e do Mal. Tradução de Antonio Carlos Braga; 2ª ed. São Paulo, Editora Escala, 2007, nº 216, p. 138):


                                                       AMAR SEUS INIMIGOS?
                  (Nietzsche)


Amar seus inimigos? Acredito que aprendemos bem isso: nós o fazemos isso de mil maneiras, no pequeno e no grande; ocorre até mesmo às vezes algo de mais elevado e de mais sublime, mas nós aprendemos a desprezar quando amamos e precisamente quando amamos mais. Mas tudo isso inconscientemente, sem rumor e sem estardalhaço, com esse pudor e esse mistério do bem que proíbe pronunciar a palavra solene e a fórmula sagrada da virtude. A moral como atitude – é hoje totalmente contrária a nosso gosto. Esse já é um progresso – como para nossos pais foi um progresso quando finalmente a religião como atitude se tornou contrária a seu gosto, inclusive a aversão e a amargura voltairianas a respeito da religião (e todo o modo de falar e os gestos do livre pensador de outrora). É a música em nossa consciência, é a dança em nosso espírito, cujas ladainhas puritanas, cujos sermões de moral e a velha honestidade não querem mais suportar.



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