27 de jan de 2013

[Poesia] DRUMMOND – Áporo



por  Pedro Luso de Carvalho

    
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE fez sua estreia em livro no ano de 1930, com Alguma poesia, Nessa obra, o poeta reuniu trabalhos que havia começado a produzir a partir de 1925. A crítica literária e o público leitor recebeu o livro (Alguma poesia) com forte reação, quer de elogios quer de contrariedade.

Em que pese pudesse ser notado na obra alguns modismos que eram advindos do modernismo, um fato não podia ser negado: ali se via um grande poeta, como poderia ser aquilatado nos livros que se seguiriam a este, como: Brejo das almas, 1934; Sentimento do mundo, 1940; A rosa do povo, 1945; Claro enigma, 1951. Tais obras dariam a Drummond  a posição de o maior poeta moderno brasileiro.

Carlos Drummond de Andrade nasceu na cidade de Itabira, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, a 17 de agosto de 1987.  
             
Segue o poema Áporo, de Drummond (In Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. 11ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 182), como segue:



[ESPAÇO DA POESIA]



ÁPORO
(Drummond)




Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.



*  *  *